O deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, acusou o governo Ratinho Jr (PSD) de má gestão e de permitir desvios milionários na saúde pública estadual. Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) indica que o Estado gastou, em 2022, R$ 12 milhões em procedimentos de litotripsia – técnica usada para fragmentar cálculos renais – valor proporcionalmente duas vezes maior que o de São Paulo, que tem quatro vezes mais habitantes.
O documento aponta que o Paraná concentrou 41% de todas as litotripsias realizadas pelo SUS no país naquele ano. A CGU identificou laudos repetidos, desatualizados ou inexistentes, cobrança pelo valor máximo autorizado em quase todas as sessões e autorizações para mais de 100 procedimentos a um mesmo paciente em 12 meses, contrariando protocolos médicos. Também foi registrado o uso indevido de códigos, o que dificulta o controle clínico e financeiro.
O prejuízo estimado chega a R$ 52 milhões. “Esse dinheiro poderia ter sido usado para comprar equipamentos, contratar médicos e ampliar atendimentos”, afirmou Arilson.
Cobrança de explicações
O parlamentar acusa a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) de não fiscalizar contratos e de tentar transferir a responsabilidade para a União. “Quem contratou as clínicas foi o Estado. Quem autorizou os procedimentos foi o Estado. A farra aconteceu aqui”, disse.
A Bancada de Oposição vai exigir ressarcimento aos cofres públicos, abertura de investigação e reforço nas medidas de controle. Arilson também criticou a ineficácia do programa de compliance e da ouvidoria da Sesa. “E o compliance, que custou milhões e foi aprovado às pressas para evitar irregularidades? Não funciona? E a ouvidoria da Sesa, está fazendo o quê?”, questionou o parlamentar.
