"A comissão já definiu o cronograma de trabalhos que terá espaços para audiências públicas nos estados. Eu vou propor que o Paraná tenha um encontro, com ampla participação de sindicatos, centrais sindicais e representantes do setor produtivo, para agilizar a votação na comissão e no plenário dos dourados", disse Zeca Dirceu, integrante da Comissão Especial criada no legislativo federal para analisar as propostas em curso no Congresso Nacional.
O calendário da comissão especial prevê a votação da proposta em plenário ainda em maio. O colegiado pretende concluir a análise e votar o relatório final no dia 26, abrindo caminho para que o tema seja apreciado pelos deputados em plenário já nos dias 27 e 28. Segundo Zeca Dirceu, as reuniões ordinárias serão às terças e quartas-feiras enquanto as quintas serão reservadas para debates em diferentes estados. Além das audiências públicas, a comissão pretende fazer seminários regionais com ministros e representantes do governo Lula (PT). Essas datas ainda serão definidas pela comissão especial.
"A bancada do PT vai agilizar ao máximo possível a tramitação desse projeto, votar e aprovar. Até porque as pessoas estão adoecendo. As pessoas não aguentam mais trabalhar nesse modelo arcaico, de 50, 100 anos atrás. O Brasil precisa evoluir, como outros países já evoluíram, reduzindo a jornada de trabalho, dando um dia a mais de descanso ao trabalhador", completou o deputado. A proposta acatada para discussão na comissão reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.
Qualidade de vida
As empresas no país, diz Zeca Dirceu, também evoluíram nas relações com seus trabalhadores. "Já temos empresas com escala menor de trabalho e com entradas (7h, 8h, 9h, 10h) e saídas (17h, 18h, 19h e 20h) para diminuir o tempo no deslocamento entre a casa e trabalho. As empresas não perdem nada, ganham com a redução de trabalho, porque o trabalhador descansado, que estuda, que se prepara, que convive com a família, que está feliz, é claro que ele produz muito mais. Ele acaba não faltando, ele não tem atestado, a produtividade aumenta", observou.
Zeca Dirceu afastou qualquer retórica de parte dos deputados que a proposta está sendo votada de forma apressada, enviesada e sem debate. "Esse é um debate antigo no Congresso Nacional. É antigo no debate com a população, com os trabalhadores, com as trabalhadoras, com as empresas. Nós já apresentamos projetos para reduzir a jornada de trabalho, já tentamos votá-los, já tivemos derrotas ao longo de 20 anos. Não é um assunto novo, é um assunto que todo mundo aqui domina, compreende, tem estudos, têm estatísticas", reafirmou.
O deputado afirmou ainda que experiências concretas já demonstram ganhos tanto para trabalhadores quanto para empresas. “Empresários que eram contra testaram e passaram a apoiar, porque houve redução de afastamentos, faltas e rotatividade”, destacou.
Levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados - mostra que 82% dos brasileiros de 16 a 40 anos estão a favor do fim da escala 6x1, sem redução salarial. Na média geral, considerando todas as faixas etárias, 73% dos brasileiros defendem o fim da escala 6x1, independentemente da questão salarial.
"A mobilização da sociedade é fundamental para avançar nas relações de trabalho e combater as perversidades que pretendem acabar com os direitos dos trabalhadores brasileiros", completou Zeca Dirceu.

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