A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu está elaborando uma carta de apoio à proposta da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) para a construção de um Hospital Universitário em Foz do Iguaçu. O tema foi discutido na manhã da sexta-feira, 21 de agosto, em reunião com o pró-reitor de Graduação da Unila, Antonio Felizberto Machado Junior.
Durante o encontro, o representante da Universidade apresentou detalhes do projeto ao presidente da Comissão vereador Adnan El Sayed (PSD) e à vice-presidente vereadora Márcia Bachixte (MDB). A Unila já dispõe de terreno destinado à implantação do hospital e conta com um pré-projeto. A proposta prevê uma unidade com 150 a 200 leitos, atendimento ambulatorial e serviços de média e alta complexidade. Neste momento, a Universidade trabalha na elaboração do Plano Assistencial, etapa necessária para definir o perfil e a organização dos serviços que serão oferecidos.
Para a Comissão de Saúde, a implantação de um Hospital Universitário representa uma oportunidade estratégica para ampliar a capacidade assistencial de Foz do Iguaçu, fixar médicos de diferentes especialidades no município, fortalecer a formação de profissionais de saúde e ajudar a enfrentar um dos principais desafios atuais do município: a pressão cada vez maior sobre a rede pública de atendimento.
Foz do Iguaçu tem uma população estimada em 297.352 habitantes, segundo o IBGE, além de exercer papel de referência regional em saúde. O Hospital Municipal Padre Germano Lauck atende pacientes dos municípios da 9ª Regional de Saúde e também recebe demandas relacionadas à condição de Foz como cidade de fronteira e turística.
Hospital Municipal enfrenta gargalos recorrentes
A situação do Hospital Municipal Padre Germano Lauck evidencia a dimensão do problema. Em junho deste ano, a unidade comunicou às autoridades sanitárias um “cenário crítico de superlotação”, com ocupação integral dos leitos de enfermaria e da UTI e sem disponibilidade naquele momento para novas admissões ou remanejamentos internos. O hospital precisou solicitar apoio da regulação estadual para a busca de vagas em outras unidades da rede. No primeiro semestre de 2025, outro episódio já havia exposto a dimensão dos gargalos: o Hospital Municipal registrava 116,97% de taxa de ocupação.
A própria Câmara Municipal tem acompanhado de perto a questão da saúde pública do município e o Hospital Municipal voltou a ser pauta na Casa. Em requerimento apresentado em agosto, o Legislativo solicitou informações atualizadas sobre número de leitos, taxas de ocupação, cirurgias realizadas, tempo médio de espera para internação, número de profissionais, investimentos e capacidade operacional do Hospital Municipal. A iniciativa busca identificar os principais gargalos e subsidiar medidas para melhorar o atendimento.
Hospital Universitário pode ampliar capacidade e estruturar a rede
Diante desse cenário, a Comissão de Saúde considera que a proposta da Unila pode contribuir para uma solução estruturante para a saúde pública de Foz do Iguaçu. Um hospital com 150 a 200 novos leitos, aliado à oferta de atendimento ambulatorial e de média e alta complexidade, poderá ampliar a capacidade instalada do município, criar novas portas de atendimento especializado e ajudar a reduzir a pressão atualmente concentrada sobre o Hospital Municipal e os demais serviços da rede.
A proposta também aproxima assistência, ensino, pesquisa e formação de profissionais, criando condições para que Foz do Iguaçu se consolide como um polo regional de saúde e educação na área médica e multiprofissional.
A expectativa é que o novo hospital contribua não apenas para ampliar a oferta de leitos, mas para desafogar a rede existente, reduzir gargalos de internação e atendimento especializado e melhorar a capacidade de resposta do sistema de saúde de Foz do Iguaçu e da região.

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