Na última sexta-feira (7), o programa Fatos e Atos, com o jornalista Ramão Camacho, na Fronteira FM, recebeu o professor e pesquisador Luiz Carlos Kossar, referência em análises socioeconômicas e políticas da região. Com formação em matemática, estatística e sociologia, Kossar trouxe um panorama detalhado sobre o eleitorado, a economia e os desafios de representatividade de Foz do Iguaçu.
Perfil do eleitorado
Segundo o professor, Foz do Iguaçu apresenta hoje cerca de 285 mil habitantes e 206 mil eleitores. O perfil predominante é de jovens entre 16 e 44 anos, em sua maioria mulheres, solteiras e em idade ativa. Muitos trabalham em empregos informais ou temporários, mas possuem bom grau de instrução. Um dado preocupante é o índice de abstenção, votos nulos e brancos, que chega a 30% a 32%, acima da média nacional. “Há um processo de estagnação no eleitorado”, destacou Kossar.
Pré-candidaturas e representatividade
O cenário eleitoral de 2026 já conta com 16 pré-candidatos a deputado estadual e 15 a deputado federal com domicílio em Foz. Porém, segundo Kossar, a pulverização de partidos e a força das redes sociais têm favorecido candidatos de fora da cidade. Ele lembra que “houve casos de candidatos que nunca pisaram em Foz e conquistaram até 8 mil votos apenas com campanhas digitais”. A falta de influência regional limita a força dos nomes locais, dificultando a eleição de representantes genuinamente iguaçuenses.
Economia em ciclos
A economia da cidade, segundo o pesquisador, vive de ciclos: da construção de Itaipu, passando pelo comércio da “muamba” com o Paraguai, até o turismo atual. Hoje, o turismo é fortemente associado às compras em Cidade do Leste, mais do que aos atrativos naturais. “O turista permanece em média dois a três dias, enquanto em Gramado a taxa é de cinco a sete dias”, comparou. Com mais de 23 mil famílias no Bolsa Família e grande parte da população na informalidade, Foz enfrenta um gargalo para encontrar uma matriz econômica sustentável.
Saúde como pauta urgente
Entre os principais problemas apontados, a saúde aparece como prioridade. O Hospital Municipal não consegue atender plenamente a população, enquanto o Hospital Costa Cavalcante, construído com recursos públicos da Itaipu, concentra especialidades de maior valor. “Traumatologia ficou para o município, enquanto oncologia e coronárias foram para o Costa Cavalcante. Isso foi um grande erro”, afirmou Kossar, defendendo que a sociedade e os representantes políticos se unam para buscar uma solução definitiva.
O futuro de Foz
Para o professor, Foz do Iguaçu deveria ser tratada como uma cidade com status especial, dada sua relevância internacional na tríplice fronteira e por abrigar Itaipu e as Cataratas. Ele sugere que a cidade poderia se tornar um distrito, garantindo maior representatividade política. “O município não pode ser visto apenas como mais um entre os 399 do Paraná. Foz merece um tratamento diferenciado”, concluiu.
Considerações
A entrevista reforça que Foz do Iguaçu precisa enfrentar três grandes desafios:
Reduzir a abstenção eleitoral e fortalecer a representatividade local.
Diversificar sua matriz econômica além do turismo de compras.
Resolver de forma estrutural a questão da saúde pública.
O debate conduzido por Luiz Carlos Kossar mostra que, para além das eleições de 2026, a cidade precisa de uma pauta comum e estratégica para garantir desenvolvimento sustentável e qualidade de vida à população.

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