A vereadora Valentina Rocha (PT) lidera em Foz do Iguaçu a mobilização local do Plebiscito Popular 2025, iniciativa nacional que propõe a redução da jornada de trabalho sem corte de salários e a revisão da cobrança do Imposto de Renda. Desde o dia 1º de julho, sindicatos e movimentos sociais coletam votos em todo o país para pressionar o Congresso a pautar reformas consideradas prioritárias por organizações populares.
Na cidade, o gabinete de Valentina na Câmara Municipal funciona como ponto fixo de votação até o dia 5 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.
A consulta apresenta duas perguntas à população:
Você é a favor da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6x1?
Você é a favor de que quem ganha mais de R$ 50 mil por mês pague mais imposto de renda, e que quem ganha até R$ 5 mil seja isento?
O voto é aberto a qualquer pessoa e consiste no preenchimento de uma cédula e assinatura de uma lista. A participação é voluntária e simbólica, o resultado não tem valor legal, mas os organizadores pretendem usá-lo como instrumento de pressão política.
“Foz do Iguaçu faz parte de um movimento nacional que quer recolocar o povo no centro das decisões. Esse plebiscito é uma forma legítima de escuta popular”, afirma Valentina, única representante do PT no Legislativo municipal.
Além da urna fixa na Câmara, a equipe de Valentina Rocha programou a instalação de postos móveis de votação em diferentes pontos da cidade, com apoio de voluntários. Estão previstas ações em bairros da periferia, universidades, feiras livres, sindicatos e comunidades religiosas. Também haverá atividades de formação política e distribuição de material informativo.
“A escuta popular tem de ser permanente. Esse plebiscito é um esforço coletivo para garantir que a voz da maioria chegue a Brasília”, diz a vereadora. Para ela, a mobilização em Foz também fortalece o debate sobre direitos trabalhistas e justiça fiscal em nível local.
O site oficial da campanha (www.plebiscitopopular.org.br) reúne materiais de divulgação, orientações para voluntários e atualizações sobre a coleta de votos em todo o Brasil. Os resultados da consulta serão sistematizados e apresentados nacionalmente no segundo semestre.
Campanha nacional
O plebiscito é organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio da CUT, do MST, da UNE e de diversas entidades de base. A mobilização inclui a distribuição de panfletos, realização de assembleias populares e uso das redes sociais para ampliar o engajamento.
Para o secretário nacional de Mobilização da CUT, Milton Rezende, a proposta responde à paralisia do Congresso diante das demandas sociais. “O Parlamento virou uma trincheira contra qualquer mudança que afete os privilégios da elite econômica”, diz. “A consulta também cumpre papel de denúncia: mostra que há um país que quer justiça social, e outro que resiste a qualquer redistribuição de renda.”
Segundo ele, o tema da jornada de trabalho ganhou força após denúncias de abusos no setor de serviços e comércio, em especial com a adoção da escala 6x1, que reduz o tempo de descanso semanal. A proposta de reforma tributária apresentada pelo plebiscito também busca corrigir o que os organizadores consideram uma distorção no sistema atual.
“Quem vive de salário, consome e paga impostos indiretos é quem mais contribui. Já quem lucra com patrimônio, herança e aplicações financeiras paga pouco ou quase nada. Isso aprofunda as desigualdades”, finaliza Rezende.
